Trio Pessoa – A musica em letra capital

Já seria suficiente a união de três talentosos instrumentistas portugueses para enriquecer o nosso panorama musical, mas o Trio Pessoa ambiciona a diferença e tem como objectivo primo, um contacto humano mais estreito com os seus ouvintes bem como a divulgação, entre outras, da musica portuguesa.
Inserido no festival do prémio jovens músicos 2014, este trio apresentou no Foyer da Gulbenkian várias obras entre elas as de Mário Laginha e António Fragoso, naquele que foi o pré-lançamento do seu primeiro CD.
O publico foi aparecendo e aos poucos a área que circundava o pequeno palco improvisado era já um fervilhar de vida. Pontualmente aparecem Otto Pereira (violinista), Raquel Reis (violoncelista) e João Crisóstomo (pianista) com uma afabilidade tal que logo ali irmanou todos num sentimento comum, a paixão pelos sons.
Na apresentação Otto pediu a descontracção dos presentes, ninguém se fez rogado e em menos de nada o chão transformou-se em poltronas onde adultos e crianças partilharam o mesmo espaço e idêntica postura.
Estar ao lado de tão versáteis artistas é um privilégio. Como esquecer quando a excelência da técnica dá as mãos a qualidade do desempenho. Como esquecer a emoção com que estes seres maravilhosos dialogam com os seus instrumentos.  São afectos que a memória não esquece e nos une a todos numa tapeçaria de fios invisíveis mas duradouros.
Nalgumas das obras o violino parecia que tinha um arco transformado tal o esplendor desses sons ímpares, noutras o cariz mais urbano e popular era evidente e impunha-se. Os aplausos um reconhecimento pelo trabalho e dedicação a uma ideia.
Hoje lembro o sorriso do Otto ao dedilhar as suas cordas, a beleza de Raquel o empenho de João e os sons muito para além do registo clássico, que me cativaram.
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Há ideias que não se podem perder, há ideias que temos de acarinhar, há ideias que temos de incentivar
Para o Trio Pessoa o meu enorme Bem Haja por tão dignificantes momentos musicais.
Maria M