Revisitar Abril

Engana-se quem pensa ser este escrito um pasquim de caracter politico. É talvez e tão só uma reflexão sobre a nossa sociedade.

Como uma seta que rasga as trevas do abismo para alcançar a luz de uma ideia renovada, ouço aqui e ali o desejo de revitalizar a repressão do passado.

Tal vontade embriaga-me a consciência pelo demérito que me provoca, embora espelhe e prenuncie o mau estar que grassa no seio de um povo que sente o peso do receio por uma luta primitiva, a da sobrevivência, ou não fosse ela a bagagem de conhecimento que todos trazemos por defeito do útero de nossa mãe.

Esquecemos, por norma, que a vida se expande pela diversidade, e num desejo incontido para construir muralhas defensivas dos perigos que nos afligem apelamos a normalização de atitudes que cada um preconiza como a ideal.

Relampeja-me na cabeça uma ideia, pudesse a minha alma munir-se de um bistori de anatomista e que encontraria ela no âmago dos diferentes corações?

Dor, medo, e acima de tudo o projectar nos outros a culpa dos destinos miseráveis que crescem a olhos vistos, mas será mesmo assim, será assim tanta a importância dos outros? Depois disso o caminho abre-se para o desânimo que desequilibra e turva a vontade, a alegria e gera agressividade.

O que nos mostrou Abril? Que a vida nunca anda para trás. Que a massa anónima de seres, vulgo plebe, não deve nem pode ser ignorada, que o analfabetismo e o receio se pagam caro e perdura por várias gerações.

É senso comum que nos defendemos de fora para dentro, mas numa imaginação longe da escravatura da realidade observável acalento o sonho que dentro em pouco muitos entenderão que a solução parte de dentro para fora. E acima de tudo que o amor é redentor, molda atitudes e reações. O amor é o maior dos paliativos para as chagas que corroiem as nossas acções.

 Para os que professam o amor como força motriz da vida, percebem que não há impossíveis. A realidade aclara-nos o sonho mas é no sonho que devemos colocar toda a nossa atenção.

Revisitar Abril

 

Será que o espirito Abril se espalhará  ou ficará envolvido nas brumas de um sonho.

Certo é que há quem me alcunhe  “A Poetiza”

Maria M