O porquê do fotojornalismo

Por sugestão de quem nos dá mão, de quem com a grandeza do seu conhecimento e dimensão humana de caracter nos remete a reflexões mais profundas, nos encaminha para decisões há muito adiadas, e acima de tudo pela força e pelo exemplo que nos é transmitido, mostrando-nos como é possível colocar no plano real algo que imaginávamos surreal.

Porque encontramos quem nos estimula o querer e desta forma a obra só tem que nascer. O poeta tinha razão

Para lá das horas do dever há as horas para ser, para ir mais além.

– Para ti Amélia, documentar Lisboa. Que tal fazer pesquisas, complementadas com a imagem?

O mote está dado, a mente fervilha e com alegria genuína a acão calça o chinelo quer calcorrear a cidade da minha paixão, falar com as suas gentes, conhecer os seus anseios, abraçá-los e em cada abraço dar um pouco de si.

Profissões que a sofreguidão e luxuria do vazio moderno relegou para a sargeta, lojas que multinacionais transformaram em ícones, pelo inóspito, por resistirem. O mundo vive na diferença, embora muitas mentes preconizem o contrário, e quanto mais igual se quer mais pobreza, mais tristeza e mais ódios se geram.

Sentir-se-á uma mudança no meu acervo fotográfico, continuam as naturezas mortas? sim, os imaginários infantis? sim, as paisagens? sim, mas focar-me-ei nas pessoas que a maioria nem dá conta no seu afã diário atrás de nada ou então envoltos numa bruma de vaidade e soberba que não permite vislumbrar para além do colarinho e da gravata.

Por falar em imaginário infantil, sinto-me como uma criança por me terem convidado para um trabalho onde irei montar cenários, idealizar contextos e sonhos.

“love your dreams and your dreams will came to you”, mas se virarmos as costas aos nossos sonhos entramos em areias movediças, que nos agarram e nos arrastam para atoleiros onde perdemos a dignidade, esse colete sufocar-nos-á cada vez mais, levar-nos-á a abandonar o que nos distingue como seres únicos enfiando na gaveta a nossa grandiosidade, destilaremos angustias, válidas é certo mas perderemos a batalha porque privamos o mundo da nossa contribuição da nossa magnificência, seremos apenas mais um que outros manobrarão.

Hortas de Chelas

E em cada dádiva obtemos do outro a melhor parte, transformamo-nos em feiticeiros e ficamos colados a emoções de confiança.

Quem ama nunca sabe o que ama ou porque ama,

apenas sabe que ama.

(baseado em Alberto Caieiro)

Maria M