O Peso do Paraíso

O jardim veste-se de ferro para receber o peso do paraíso, para uns negro e denso, para outros leve como bolas que enfeitam as copas das árvores, mas para todos uma esperança.

No passadiço, entre dois lagos movimentados quer pela azafama dos patos que se banham quer pela pequenada que se delicia a soltar o pão através das suas mãos pequeninas, logo seguido do alvoroço com que as aves agradecem, ergue-se com uma verticalidade irreprimível uma peça que nem o mais distraído consegue ignorar. Nela o ferro abraça, e sente-se o conforto de um material que por natureza não associamos a delicadeza, mas é o que peça irradia.

No Cam, o espaço é amplo e as esculturas quase que flutuam no seu interior. Cada uma merece um olhar atento. A obra nasceu a mercê das vontades quiçá com alguns detalhes imprevisíveis que apenas o autor, Rui Chafes, o saberá. A nós cabe-nos o prazer de desfrutar, o prazer de imaginar, o prazer de viajar a mundos que a habilidade e o engenho do artista nos permite alcançar.

Vergam-se os materiais para espelharem a sensibilidade do autor e apelarem a do visitante

A arte qualquer que seja desperta-nos sempre sentimentos que ultrapassam o que temos sem ver, o que partilhamos sem olhar.

Rui Chafes

Quem aceita o desafio de deixar fruir a arte?

Maria M