Mudam-se os Tempos , Dias da musica 2014

Prometia-se musica para todos, cumpriu-se. Prometia-se animação, cumpriu-se. Prometia-se alegria, cumpriu-se.

O sol brilhou com a intensidade de um verão antecipado, os jardins fervilharam de animação e vida e os sons melodiosos foram uma constante no primeiro fim de semana de Maio do calendário de 2014, mas afinal não era esse o motivo maior de estarmos ali? Na praça do recinto central do CCB, e pela primeira vez nestes dias consagrados a musica, uma feira de artesanato. Tasquinhas com comida tradicional, trabalhos em vime, trapos, vinil convertido em malas, anitas em estojos, porta-moedas e tudo o mais que a imaginação pode conceber dinamizaram a atenção de todos os que circulavam e improvisavam tempo no intervalo dos concertos.

Mas a ampulheta não parou e de duas em duas horas as salas e auditórios fechavam-se para fruição das obras musicais selecionadas, algumas sem edição discográfica de fácil acesso .

Bilhetes sem  marcação ocasionavam filas antecipadas a todos quantos tinham preferência por lugares de plateia já conhecidos, bem balcão também.

Confesso que umas das minhas maiores dificuldades é a escolha,  mas acredito ser um dilema que afecta todos os amantes deste festival. Entre outros destaco os “Músicos do Tejo” e os “Sete Lágrimas”.

Para trás ficou o Maestro Pedro Carneiro, Maestro Pedro Amaral, Camerata Atlântica, Trio Mário Laginha,… um sem fim a desfiar sublimes talentos.

Não esquecerei a atuação de Paul Badura Skoda a provar que a limitação de idade impera apenas na mente de cada um. E que dizer dos violoncelistas Paulo Gaio Lima e Nuno Abreu, apenas que fico sempre sem palavras quando tenho o privilégio de assistir a interpretações de nível superior.

Impensável não mencionar os “Sete Lágrimas” com um reportório de excelência intitulado “Diáspora”. Rui Silva na percussão histórica foi inigualável. A simbiose das vozes com o contrabaixo, viola da gamba, tiorba e percussão transportaram-nos a universos que apenas vislumbramos em momentos impares. Um estrado separava a assistência destes excelsos interpretes, envolvendo todos numa comunhão quase intima de emoções. Palmas acompanharam canções trovadorescas e quando soou a Yamukela, ultima canção, os Bravos eclodiram em chuva, e tanta foi que o encore se tornou obrigatório. Só tenho que sentir orgulho por pertencer a um povo que concebe qualidade assim com letra capital.

Todos concertos são a musica, os artistas, o ambiente, o prazer visual dos instrumentos e a forma como são tocados. Quem se envolve pelo seu feitiço jamais consegue abstrair-se deles.

 Mas os dias foram finitos e com o cair da noite a obrigação de retornar a casa. Estuguei o passo, de repente os sons mudaram de tonalidade, as frases equilibradas e estudadas pelos diferentes compositores modelaram-se numa cacofonia de gritos e reclamações, Não é admirar afinal estava no 15 o elétrico das massas enlatadas.

Sete Lágrimas

 

Mudam-se os tempos, mudam-se os conceitos, o espelho mudam-nos o visual mas o prazer esse surge sempre renovado.

Prometia-se festa e a festa cumpriu-se

 Maria M