Lisboa, a moura encantada

Lisboa, a moura encantada

 

Lisboa nos teus becos perco os meus passos

Nos teus odores os meus sentidos

E na melodia das tuas Tágides os meus ouvidos

 

Lisboa por tantos vilipendiada

Na argamassa das tuas pedras perdem-se os caminhos

Para uns uma monótona rotina

Para outros casa que esconjuro algum conseguiu suavizar o vazio presente

Mas para mim, para mim és tudo

 

Lisboa que dás esperança a quem sabe beber das tuas fontes

És Magnânima para os que te sabem ler

E amparo para os que te procuram sem agonia

E para mim, para mim és tudo

 

Lisboa do cheiro a canela e da bica

Altiva com cabelos de espuma

Imutável nas tuas raízes mocárabes

Marcaste-me à nascença como uma cicatriz

Perturba-me a tua ausência

Porque para mim, para mim és tudo

 

Lisboa, tu que és gloria

Sofres com o desleixo, com a falta brio

Gritas em surdina

Mas eu ouço, porque para mim és tudo

 

Lisboa deusa de olimpo

Em ti vejo o brilho das lágrimas pelo o sofrimento que observas

E em ti me revejo

Lisboa,  moura encantada.

Lisboa

Maria M