Filipa, a Grande

E esto foy dous dias de Fevereiro em festa da Purificaçaõ da Bemta Virgem, avemdo estomçe

ell Rey vimte e nove años e a Ifamte sua esposa vimte e oito. E esto acabado, ordenou lguo ell

Rey de fazer sua voda e tomar casa, de quinta feira seguinte a oito dias. E escreveo aas

cidades e vilas de seu Reino quoamto lhe prouguera serem em sua festa presemtes; e a nota

das cartas que a todos emviava hiaõ em esta forma:

Nos el Rey vos emviamos muito saudar. Cremos que bem sabeis como avemos jurado e

prometido de casar com a Ifamta dona Felipa, filha del Rey de Castela e Duque

dAlencrasto. Ora estamdo nos em Guimarãis prestes pêra seguir noso caminho, segumdo

bem sabeis, fomos requerido per o dito Rey de Castella, seu padre, que a tomemos por

molher, segumdo avemos com elle posto amte que desta terra partisemos, dizemdo que

emtemde asy por serviço de Deus e sua homrra e melhor aderemcamemto de seus feitos e

nosos. E por quoamto Noso Senhor o Papa ja avia despemssado cõ nosquo que podesemos

casar, ouvemos sobre ello noso comsselho e foy acordado que casasemos com ella amte

que partisemos desta terra. E nos por esto viemos loguo aquy a cidade do Porto, e fizemos

cõ ella bemçoês oje que foy dia da Purificaçaõ de Santa Maria, porque se em este dia não

forão feitas, não se poderão depois fazer alaa oito dias depois de Páscoa, segumdo

ordenamça da Samta Igreja……..

Cronicas de D.João  I

Fernão Lopes

E o teu ventre, Filipa, concebeu a  geração louvada no mais elevado canto português

Não consentiu a morte tantos anos

Que de Herói tão ditoso se lograsse

Portugal, mas os coros soberanos

Do Céu supremo quis que povoasse.

Mas, pera defensão dos Lusitanos

Deixou Quem o levou, quem governasse

E aumentasse a terra mais que dantes:

Ínclita geração, altos Infantes.

Canto IV,

Luis de Camões

E tu, Isabel, que a história de Catolica te cognominou podes envaidecer-te do sangue nobre de Filipa que nas tuas veias circulou.

 

E corte alguma viveu tamanho esplendor, devido a ti, Filipa de nome, numa corte barbara, grotesca com mui vaidade e cegueira, causa de cobiça entre todos eles e pouca a sua justiça.

Querer teu tão gigante, sonhar que sonho transforma em pequeno, mar português criaste.

Força tão sabia tiveste, amor tão grande te moveu, esculpiste jóia uma nação.

A ti respeitosamente curvo este humilde ser, a ti douta mulher.

Mas ecoam ainda no poeta gritos de dor

“Cumpriu-se o mar, o Império se desfez

Senhor, falta cumprir Portugal”.

Maria M