Diz-me para ficar

Na teia urdida por intervenções autoritárias e quantas vezes contraditórias em vastos domínios de uma sociedade que carece de estruturas sólidas para se catapultar para oásis de esperanças edificantes, surgem verdadeiros gritos de dor.
Muitos surfam em ondas gerais de distracção como paliativo a sua própria angustia, e destes quantos não seriam o modelo perfeito para Munch? Ignorar não leva a nada.
Temos orgulho do nosso Pais? Sim. Queremos espaço para a cultura? Sim. Queremos uma sociedade sábia que reconhece o valor da experiência? Sim. Queremos melhorar e não mudar constantemente? Sim. Sim.Sim. Mas queremos também que cada um reconheça o valor que encerra em si e não projecte no outro a responsabilidade de ser feliz.
A fotografia é um meio, válido como qualquer outro, que deve ser usado, a meu ver, com o maior respeito e ter um objectivo grandioso. Uma vez libertos de concepções de origem tecnica podemos optar por imagens que mostram a beleza da nossa Gaia, qualquer que seja a latitude onde nos encontremos ou por narrativas de imagens. A exposição “diz-me para ficar” enquadra-se neste registo, fruto da imaginação de uma figura com uma humanidade desarmante que concebe leituras pessoais arrojadas e com fortes impactos simbólicos .
A preto de branco, algumas com luzes duras a marcar dureza das vidas que tantos tem de suportar. É a audácia do dizer sem mostrar, do sugerir o que todos sabem.
São histórias contadas em duetos de imagem.
Diz-me para ficar
  Diz-me para ficar
“Diz-me para ficar”, é uma fonte de inspiração, um legado em tempos de mudança, de Nelson D’Aires, só podia.
Maria M