Despir Preconceitos

É senso comum que desenhar pertence apenas a esfera de alguns, tal é verdade, mas não pelos motivos que se acredita.
Desenhar nasce de acto de querer, de gostar sem forçar resultados, é o aprender a olhar, é a procura constante da nossa interpretação do mundo.
Vários são os métodos experimentais preconizados para enriquecer a procura, ora com linha de contorno definida ora em linhas rápidas de 5 segundos.
Em estúdio o modelo contorce-se de forma elegante, há que desenhar o corpo humano assim mesmo sem preparação prévia.
Lançado que está o exercício deve captar-se o instante, soltar a confiança e libertar as linhas que volteiam em movimentos ora feéricos ora subtis, tão subtis que se esfumam no papel;
Ora atingindo os contornos, ora enquadrando a composição, parece nada mas a pouco as linhas vão desvendando a forma, lentamente e o espírito, neste desprendimento, não olha sente, sente o prazer.
O desenho é e deve ser apenas um acto de evasão, deve evocar pinceladas visuais. O rigor é secundário aparece naturalmente. A grafite risca, indelevel, de vez em quando mais forte, não parece mas está tudo lá, nos rabiscos, na folha. Há que aprender a olhar, a perceber as fronteiras e acima de tudo longe das preocupações, é um mundo intimo só nós e os objectos que captam a nossa atenção, sobre o resto cai um veu, uma bruma que nos impede as distrações, que nos desprende as amarras.
Parece facil, mas não é, para seres sensoriais como somos, a abstação é o maior bem que podemos alcançar.
Toda a obra de arte é uma exteriorização da essência das coisas que seres apaixonados conseguem captar.
O sucesso no desenho, tal como na vida, é o resultado da forma como reagimos a adversidade.
Maria M