Designios de Luz e Sombra

Pegue-se num conjunto de nozes, ou numa única para simplificar e com a ponta de grafite macia trace-se a forma quer através da definição de contorno quer por aproximação da mancha, mas sempre com movimentos suaves. Pode e deve usar-se o lápis estendido ao nível dos olhos e inclusive cerrar um olho, não para dar um aspecto de versado na matéria mas tão só para definir a relatividade entre as linhas.

Borracha só no final, não é por acaso ser apoio quase extinto em aulas de desenho.

Importa saber captar o essencial, neste ponto a obra ganha cariz bidimensional, plano a fazer lembrar rabiscos naif.

Falta, nesta fase, a terceira coordenada a que faculta a cor e fragrância do objecto modelo.

Dedique-se o tempo necessário a interpretar  a luz, sua direcção e quais as sombras que nascem a partir dela.  E é neste quase perder tempo que brota a compreensão do que realmente estamos a ver e só após este estágio poderemos com parcimoniosa atenção começar a delinear o volume do mesmo.

Definir os pormenores importantes não é tarefa fácil, um mestre saberá o tempo que leva até atingir o conhecimento dos elementos fundamentais da obra e dedica-se apenas a esses, descartando os restantes.

Mas como vemos nós a luz:

Numa superfície côncava a sombra encontra-se na direcção da luz, estando claro no seu oposto, já na convexa a luz fica presa no lado a ela exposta ficando o escura no extremo antipoda.

Bem, nas transparências como é o caso de uma gota o contraste luz/sombra tem valência própria. No ponto onde a luz incide é branco, mas a sua volta escuro ficando o claro reservado para a parte inferior da mesma e é nesta realidade que se encontra a íris dos olhos. Nas sombras projectadas é importante não esquecer que a base que apoia o objecto reflecte e por esse motivo os pontos de contacto são sempre mais claros no objecto, as vezes apenas uma ténue linha.

Um volume só fica perfeitamente definido com 5 valores de contraste, o muito claro(branco), o escuro e três tons intermédios. E quem já reparou que as superfícies metálicas tem uma linha divisória a meio?

E é deste estudo de pormenor que vive a ilustração ciêntifica.

 

O talento cultiva-se, educa-se mas para isso desenhar tem de ser muito mais do que um verbo e gostar muito mais do que um mero conceito.

Maria M