Ciclo Grandes interpretes- Orfeó Català Cor de Cambra del Palau de la Música Catalana

Foi um quase esgotado grande auditório que acolheu o Orfeó Catalá e o Cor de Cambra, neste seu primeiro concerto após meses de encerramento para obras de restauro.

Ainda faltava uma hora para se abrirem as portas e já o Foyer fervilhava de vida. Conversas soltas,  abraços e exclamações de quem não se vê há muito, e embora abafado, o som cristalino e agudo de pratos e chávenas indicavam um bar na sua azafama habitual em dias de musica e palavras, ambiente inesquecível para quem o vivência.

Ao entrar na sala a minha expectativa era grande, pois por razões de agenda não me foi possível comparecer na grande festa de reabertura.

Lá estava o tom do meu encanto com paleta ocre, laranja e terra sombra convidativo a fruição de sinfonias de sons; ao fundo o palco prolongava-se no jardim com uma iluminação vibrante a destacar a luxuriante vegetação.

O principal coro amador da Catalunha, Orfeó Catalâ e o Cor de Cambra  entram quase em surdina eles de preto e elas com longas vestes negras pontuadas com faixas lilases invocativas de arquétipos celestes, para cantar numa primeira parte a musica sacra tradicional de compositores catalãs, motetes contrapontísticos que nos transportam a ambientes litúrgicos, e outras canções de cariz mais secular que de tão alegres e populares são entoadas sem pauta de apoio.

Após o intervalo ouve-se o Requim de Fauré, uma obra de composição delicada, direi mesmo com espírito pueril. Escreveu-a o compositor numa época da sua vida marcada por dores profundas num apelo a ideia reconfortante do descanso eterno.  O som do órgão flutua como um aroma delicado e chama as vozes que lhe respondem. Os solistas Dietrich Hensche e Maria Espada erguem as suas suplicas de uma forma que céu algum poderá recusar. Com a sua tessitura doce de soprano angelical e porte magnifico Maria Espada facultou a quem teve o privilegio de assistir um sublime momento musical

Inesquecível no tanto de beleza e tranquilidade que a voz humana pode emanar

Maria Espada

Maria M